sábado, 5 de dezembro de 2009

É, eu estava lá.

Eu estava lá, sentada no banco do passageiro, observando a corrida das gotas de chuva na janela. Estava tão entretida que por instantes a gravidade da situação não cabia nos meus pensamentos; focados na janela.
Ouvi um barulho do lado de fora e relutante sai para ver. Eram gritos de choro e desespero.
Foi então, que eu senti a chuva, que antes eu só a encarava através de um vidro, me atingindo cada vez mais forte, me trazendo o sentimento de impotência e, por fim, trazendo a realidade da situação, maior até do que eu imaginava. Tive um descuido e uma lágrima caiu de meus olhos. Aquela não era a hora para chorar ou me sentir inútil, isso não mudaria os fatos e o carro dela ainda estaria na vala. Em quanto ainda reflectia sobre como me sentir diante daquilo, avistei um vulto, - era minha mãe. Eu a vi ensopada feito uma esponja récem usada.
Só o que se sentia era a pressão, o cheio do mato molhado. Ainda imóvel, ouvi meu pais gritando e corri para ver como ela estava. Tentei um abraço, mais foi recusado. E de novo o amargo sentimento de impôtencia. Cheguei a um ponto de pensar o porquê que eu estava ali. Voltei para meu assento encolhida de frio, e mesmo com os olhos preocupados, tentei cochilar, mas não deu certo, em menos de 30 segundos depois ela já estava dentro do carro. Estávamos voltando pra casa. E em nenhum momento dessa noite, eu consegui deitar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. Mas sempre que fechava os olhos, desejava que nada daquilo tivesse acontecido.

1 comentário:

Anónimo disse...

Esse está muito bom também , você sabe utilizar as palavras pra transmitir o seu sentimento de forma simples , e ao mesmo tempo rica , já está escrevendo melhor do que a escritora de Crepusculo , e daqui a 3 anos estará melhor do que Harry Potter. haauheuheh , mas ainda tem uns errinhos de desatenção , mas ainda assim é bom.