domingo, 29 de novembro de 2009

Existencia é só ilusão.

Será que vale a pena a continuar mesmo depois de saber que o preço a pagar é maior do que o que você tem a oferecer?
Velhas perguntas perturbam esse coração sonhador, que já não faz mais ideia do que fazer.
Este mesmo bate frio, bate com medo, pois não sabe do que fugir
E se esvai o sangue duvidoso neste velho corpo triste a pedir
Que não me deixe sofrer
E se esse é meu destino, que não me deixe viver.

Velho corpo este,
que prefere morrer de amor, do que morrer por acaso
O mesmo que prefere viver sofrendo,
mas tendo seu amado.

Se contigo, entrego a ti minha humanidade
"Sem tigo", entrego a Deus minha alma.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Adeus Padrasto

"Não quero que me olhe com esses olhos cheios de perguntas, estes mesmos que não responde nenhum dos meus questionamentos. Quero que passe dessa porta e esqueça que viu que eu estava ali. Eu já tentei usar forças sobrenaturais para mudar esses pensamentos arrogantes sobre a pessoa que eu não quero que você se torne, mas estou me vendo incapaz de modificar essa cabeça imbecil que você possui. Já me esgotei de não medir esforços para que as coisas dêem certo, pois você invade sempre o único espaço que eu tenho, o único lugar onde eu posso esconder meus pensamentos. O que você acha que está fazendo? Só tenho te visto como um inescrupuloso que acha que não existe um lugar para cada um no mundo. Não é tudo sobre nós. Dessa vez é sobre mim. Mesmo tendo passado por todos esses anos com um alfinete na mão, sem dar um mísero grito, chorei, quando tive oportunidade de você não ver. Esse otimismo que me faz tentar todos os dias, foi ficando em todos os dias que eu tive que esquecer e seguir em frente.
E meu amor, foi ficando em todos os dias que foi testado, e hoje, só sobra uma flor para dizer adeus. Até um dia padrasto"

Depois de ler, devolveu ao policial. Era a carta de suícidio destinada ao pai adotivo.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

HUMANA

Eu estava sentada no meu pequeno quarto, menor a cada piscada dos meus olhos, fazendo o que normalmente eu faço ao começo da noite; escrevendo. Ultimamente tenho me sentido egoísta,
pois cada letra que eu escrevi me soou egocêntrico, sobre mim, mim, e mim; hoje, como nos últimos dias, não seria diferente.
Não consigo me imaginar mudando toda vez que acho que tive uma má ideia, não seria tão engraçado ter que começar tudo de novo se eu não me permitisse arriscar a errar, oras, ai não teria mais sobre o que escrever. As vezes acho que algo está errado comigo. Imagine só, eu ao auge dos meus 13 anos pensando como uma senhora na flor de seus 85. Não é a primeira vez que ouço pessoas se referindo a mim assim. E em certos pontos até concordo com essas pessoas...
Ah sim, quase me esqueci de contar o porquê. É meio óbvio que eu não sou muito popular. Entre álgebra e ciências, eu escolho literatura. Entre geometria e espanhol, eu prefiro português.
Não sei se posso dizer em que rótulo me encaixo, pois eu não sou nenhuma burra, muito menos nerd ou algo assim. Isso me causa problemas para fazer amigos e até mesmo por ser provida de uma beleza incontestavelmente insuficiente, não tenho muitos pontos a meu favor,além de ser muito minimalista e observadora.
Observo como as pessoas comem, como elas secam a mão de gordura no jeans da calsa, como a bochecha delas tremem quando eles mentem... Sempre que começo uma conversa com alguém tento melhorar meu comportamento e não imaginar a cor da meia furada monstruosa que essa pessoa deve ter comprado a uns 3 anos atrás, mas é inevitável não tentar me afastar quando percebo que no fundo eu não desejo sua amizade, eu desejo estudar seu comportamento e botar no papel.
Talvez eu não tente me enturmar, não pelos meus "defeitos" observadores, e sim por que de alguma forma, eu sei o que este ser está pensando, ou pelo menos tenho uma ideia. Isso me faz ter um sentimento confuso e ao mesmo tempo excitante. Pode não ser espanto a palavra certa, mas é algo parecido. Um desejo que ultrapassa os limites da curiosidade e invasão de privacidade. O impulso de querer saber o quão complexo é seu batimento cardiáco, e o movimento da língua ao falar.
Tenho por mim que meus exageros são normais para uma garota explodindo hormônios, mas não sinto que seja a hora de mudar. Minha inquietude pelo novo me afasta das pessoas, mas só por alguns segundos eu sei que vai chegar o tempo de usar todo esse "conhecimento" a meu próprio bem e sei que posso facilmente entender que um dia terei que enfrentar o mundo, e todas essas pessoas.
Só espero que até lá terminar minha transição de rata de biblioteca minimalista e observadora para... Humana.